Como eu não consegui fazer comentário no blog do Júlio Severo, a respeito de um texto do Reinaldo Azevedo que ele reproduziu, eu o faço aqui:
Caro Júlio, postar um texto do Reinaldo Azevedo sem as necessárias observações é temerário. Você acabou por ofender aos pentecostais (não pelas pessoas envolvidas, mas pelos ataques ao pentecostalismo), pois acabou avalizando todo o conteúdo. Há tempo para uma correção, e engrandecerá mais ainda o seu ministério.
Em Cristo, Pr. Solon, Ig. Cristã Pentecostal da Bíblia.
E Agora, Como Viveremos? Está concorrendo ao título de melhor blog do Brasil, e tem todo o nosso apoio.
Peço o seu integral apoio, o seu voto não custa nada, mas vale muito. É rápido, em segundos você vota, porém o seu gesto será eternizado, pois o mais votado será transformado em livro.
Carta enviada a revista VEJA, comentando a entrevista com a Psicóloga Rozângela Justino.
COMPORTAMENTO INADEQUADO DE VEJA
A entrevista com a psicóloga Rozângela Justino, publicada em 12 de agosto de 2009, inaugurou um estilo interessante no jornalismo brasileiro: A IMPRENSA INQUISITORIAL CONDENATÓRIA. Eu pensava que a função do jornalista, ao entrevistar, fosse a de perguntar, e não de acusar ou debochar. Veja inovou, nem precisa mais do ministério público, e o Casseta Planeta e o CQC conseguiram um forte concorrente: O Jornalismo Satírico "COM VEJA NINGUÉM PODE".
SOLON DINIZ CAVALCANTI
Pastor da Ig. Cristã Pentecostal da Bíblia do Brasil
Bacharel em Teologia
Mestrando em Ciência das Religiões - Universidade Lusófona - PT
Entre no endereço que segue, e veja uma linda entrevista pela vida, pelo amor às pessoas que sofrem com distúrbios sexuais. Desculpamos ao jornalismo da Veja pela maneira sórdida como formulou as perguntas. Mas nem isto apagou o brilho do idealismo de amor da irmã Rozangela.
A desilusão veio mais cedo do que se esperava. Agora, é esperar até a próxima eleição e, que alguém sensato tome assento à cadeira na Casa Branca para reparar o grande mal feito pelo Anticristo de plantão.
Barack Hussein chutou a bioética pra debaixo do tapete no caso das células tronco, contribuiu para milhões de assassinatos ao liberar verbas governamentais para as Ongs abortivas, e deu início a uma política antibíblica quando se autoproclamou o "campeão da causa homossexual".
Obama tem a pior aprovação desde a posse, diz pesquisa
Agência Estado
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, sofreu uma queda em sua aprovação, segundo pesquisa da Universidade Quinnipiac divulgada na quinta-feira.
O estudo mostra que 50% dos eleitores consultados aprovam Obama, enquanto 42% deles o rechaçam.
Este é o seu pior índice desde a posse, em 20 de janeiro.
O editor do site "American Thinker", Thomas Lifson, escreveu em sua página nesta terça-feira:
"Está começando"
Pregado em paredões aleatórios de Los Angeles e Atlanta, um novo cartaz do presidente dos EUA, Barack Obama, vem intrigando os americanos. Uma imagem do líder com o estilo do personagem Coringa interpretado por Heath Ledger e com a legenda "socialismo" mostra que o presidente, que completa 48 anos nesta terça-feira, não está livre das críticas, assim como seu antecessor, George W. Bush.
"A ridicularização aberta de Barack Obama, a desilusão com um homem e com suas políticas, além de uma imagem mentirosa de um homem brilhante e culto 'vão além de uma paródia política'."
Nas últimas décadas os investigadores descobriram provas que, nos tempos primitivos, havia convicção de um ser supremo, criador único e merecedor de toda a reverência.
Isto causa fragilidade a posição, ainda em voga, que o homem pré-histórico era politeísta e que o monoteísmo aparecera pela primeira vez na história muito tempo depois do homem neolítico.
O politeísmo, então, terá sido uma degradação do monoteísmo, e representa um caos histórico, determinado pelo bestializar da moral e da mentalidade da civilização.
Como doutrina e sistema religioso, o politeísmo reconhece a existência de múltiplos poderes divinos a quem se rende adoração, configurando a idolatria como modelo mais conhecido.
Não adorar outros deuses, é o primeiro mandamento no decálogo da religião monoteísta, o judaísmo de onde derivou o cristianismo e o islamismo.
O Sábio Deus Único temia não a concorrência de um real oponente, mas de um rival fictício que desviaria o homem da estrada da Vida, para as vielas da morte. Disse Jesus “Eu Sou a Estrada”. (João 14:6)
A deterioração espiritual do gênero humano ampliou o seu infortúnio. Temos profusão de ídolos e superabundância de angústia e desesperança.
Alguns ícones do nosso tempo explicitam a nossa debilidade humana. Embora a modernização não configure pecado a nossa relação com ela pode sinalizar o comprometimento da nossa espiritualidade.
Adoramos o computador e o celular, e alguns fazem sacrifícios para ter o último modelo. Os “deuses eletrônicos” sempre exigem sacrifícios de atualização, gerando um sentimento de insatisfação progressiva: sempre quero mais, nada me satisfaz. Isto se torna um caractere decisivo nas outras relações, a fugacidade. Disse Jesus “Eu sou a fonte da satisfação” (João 4:14).
Adoramos o carro, que deixou de ser um meio de transporte e agora é um ídolo. Alguns vivem para o veículo e é comum dedicarem mais tempo a ele do que aos amigos e à própria família. É comum alguém dizer “o sábado é do carro”.
O momento do filho o pai dedica ao carro transformado em um deus. O traficante da esquina tornar-se-á a falsa divindade desta criança. Disse Jesus “Eu Sou a Verdade” (João 14:6).
Adoramos as roupas e comprometemos a nossa alimentação pela moda. As vestes deveriam proteger o nosso corpo, apenas isto. Dobramos os nossos joelhos nas lojas caras transformadas em templos da vaidade, e sacrificamos a saúde financeira da família no altar da moda. Chegamos às raias do absurdo de pagar, e caro, por roupas rasgadas.
Ficamos agradecidos aos deuses por andar maltrapilhos. Recebemos lixo dos deuses deste século e lhes agradecemos como se contemplados com refeição festiva. Disse Jesus “Eu Sou o banquete celestial” (João 6:35).
A pluralidade dos deuses é espantosa. Espreitam em cada esquina, furiosos, obstinados a quem possam enganar e conduzir a caminhos que parecem de vida, mas são caminhos de morte. Disse Jesus “Eu sou a razão da existência” (João 14:6).
O homem moderno não sabe ao certo se a casa é um local aprazível, esconderijo ou cadeia. Às vezes é um local de segurança e outra um ambiente de tortura.
O retorno à morada deveria ser o objetivo do guerreiro que sai para a luta do dia-a-dia. Quem sai a trabalhar ao fim da labuta necessita de descanso, tranqüilidade, paz necessária para se recompor. O lar, então, surgiria como a rota perfeita para o encontro do renovo. Mas...
Em muitos lares as desavenças são tantas que a luta diária do labor parece brincadeira de criança. Quando o lar deixa a finalidade de recompor as forças e torna-se um ambiente hostil a quem nele vive, já não se quer voltar para ele.
É comum quem mergulha no trabalho não ter pressa de voltar para casa. “Casa”? Humm!
Sente-se mais feliz na guerra do batente do que no ócio doméstico. “Ócio doméstico”? Humm!
O trabalhador compulsivo normalmente busca uma compensação por suas frustrações domésticas. São tantos os elogios “como é competente”; “é tão disposto”; “trabalha como um tigre”; “é muito inteligente”; “se todos tivessem esta disposição”; “o cara parece que não dorme”; “este vive para o trabalho”.
Em casa o ambiente nem sempre é tão favorável. Os familiares não convivem com o executivo da multinacional ou o gerente da farmácia, mas com o pai, a mãe, o marido...
É mais fácil ser produtivo, uma verdadeira máquina, do que ser gente.
Gerenciar uma empresa não é tão complexo como dominar as emoções. Fabricar dinheiro é muito mais simples do que produzir amor e carinho.
O mercado exige das pessoas competitividade, e no lar o que querem é atenção, doação.
Enquanto o mundo dos negócios, seja uma agência bancária, um açougue ou uma barraquinha de "churros" fala em produtividade, o mundo familiar tem em seu “economês” o desperdício. Desperdiçar afeição e tempo com o outro é a característica do vencedor no que é mais importante que o prestígio social, o próximo. E quem me aguarda em casa é o mais próximo de mim.
Outro dia uma família amiga viveu uma tragédia com a perda da matriarca. Uma família numerosa, com filhos espalhados por diversas cidades.
Quando a mãe adoeceu e foi internada no hospital todos os filhos pararam os seus afazeres e pra lá foram.
Os filhos desempenham diversos papéis na sociedade, um é militar e “largou” o quartel; o outro é enfermeiro e “abandonou” o posto de saúde onde trabalha. O seguinte é pastor e “deixou” a igreja e até uma filha missionária voltou do "campo” e assim sucessivamente. Diante da morte o trabalho é irrelevante.
É tão contraditório que a morte seja capaz de fazer o que a vida não é competente para realizar. Assim procedendo, respeitando a morte a ponto de “parar tudo”, e desconsiderando a vida de modo a ignorá-la, demonstramos a nossa completa inversão de valores.
Os dias em que a mãe lutava contra a morte os filhos repensaram suas vidas. Ainda tiveram oportunidade – pois que alguns dias a enfermidade deu trégua – de demonstrar afeto pela mãe. Mais amor foi jorrado pelos familiares na proximidade da morte do que jamais foi gotejado em toda a vida.
Esta é a realidade em que vivemos. Desprezamos as pessoas na presença da vida para amá-las diante da morte.
O valor de alguém é medido pelo valor que lhe é atribuído. Mesmo que seja alguém valoroso, o seu cônjuge, por exemplo, mas se este valor não é realçado, reconhecido, um manto de frustração encobre esta alma.
Sempre que valorizamos alguém, o estamos incluindo em nosso mundo afetivo. A valoração é um laço de amor “isto é importantíssimo; isto valeu a pena; você é necessário; eu te amo; você é especial para mim;” E as pessoas sempre querem este tipo de atenção, a inclusão emocional. Com a inclusão emocional as feridas da alma são curadas.
Imagine que você está em um grande leilão de pessoas, e que estas pessoas são os seus filhos ou pais, sua esposa ou marido, ou mesmo seus amigos... Valorize enquanto há tempo, faça-o se sentir bem valioso gritando bem alto o lance da afeição e ternura. Seja o grande vitorioso nesta disputa pelo coração do seu próximo.
Não adianta o lance, não adianta a valorização depois que o martelo da morte bater forte sobre a mesa da vida.
O sonho da liberdade, o topo da montanha, a terra prometida: nos emocionantes discursos de Martin Luther King, as imagens que inspiraram multidões a seguir o caminho do reverendo
Transe coletivo: diante do Memorial Lincoln, em 28 de agosto de 1963, o pastor faz seu principal discurso, 'Eu Tenho Um Sonho'
A coragem inabalável, a obsessão pela luta pacífica e o gosto pelo diálogo franco não são as únicas marcas da extraordinária trajetória de Martin Luther King. Sua retórica notável, capaz de mobilizar multidões emocionadas, foi o elemento-chave para divulgar a causa dos direitos civis nos Estados Unidos. O dom de cativar e inspirar as platéias - revelado e aperfeiçoado nos púlpitos dos templos batistas do sul do país - transformou um movimento político-social numa jornada de elevação espiritual para milhões de negros americanos. A seguir, trechos selecionados de alguns dos discursos mais famosos do pastor assassinado em Memphis:
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"Voltem para o Mississipi, voltem para o Alabama, voltem para a Geórgia, voltem para a Louisiana, voltem para as favelas e guetos de nossas cidades do norte sabendo que, de alguma forma, esta situação pode e vai ser mudada. Não nos arrastemos pelo vale do desespero. Digo hoje a vocês, meus amigos, que apesar das dificuldades e frustrações do momento, ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano. Eu tenho um sonho de que um dia esta nação vai se levantar e viver o verdadeiro significado de sua crença: 'Consideramos essas verdades auto-evidentes: que todos os homens são criados iguais'. Eu tenho um sonho de que um dia, nas montanhas da Geórgia, os filhos de antigos escravos e os filhos de antigos donos de escravos serão capazes de sentarem-se juntos à mesa da fraternidade. Eu tenho um sonho de que meus quatro filhos um dia viverão numa nação onde não serão julgados pela cor de sua pele, mas sim pelo conteúdo de seu caráter (...). Quando permitirmos que a liberdade ecoe, quando permitirmos que ela ecoe em cada vila e cada aldeia, em cada estado e cada cidade, seremos capazes de avançar rumo ao dia em que todos os filhos de Deus, negros e brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão dar as mãos e cantar as palavras da velha cantiga negra, 'Enfim livres! Enfim livres! Graças a Deus Todo-Poderoso, enfim estamos livres!'." (Eu Tenho Um Sonho, Washington, 28 de agosto de 1963)
"Que despertemos nesta noite com uma prontidão ainda maior. Ergamos-nos com uma determinação ainda maior. E que ataquemos de frente estes dias poderosos, estes dias marcados pelo desafio de transformar a América no que ela deve ser. Temos a oportunidade de fazer da América uma nação melhor. E quero agradecer a Deus, mais uma vez, por permitir que eu esteja aqui com vocês (...). Bem, eu não sei o que virá agora. Teremos dias difíceis pela frente. Mas isso não importa para mim agora porque eu subi ao topo da montanha. Não me importo mais. Como qualquer pessoa, eu gostaria de ter uma vida longa. A longevidade é boa. Mas não estou mais preocupado com isso agora. Quero apenas cumprir a vontade de Deus. E Ele permitiu que eu subisse a montanha. E lá de cima eu enxerguei. Eu enxerguei a Terra Prometida. É provável que eu não entre lá com vocês. Mas quero que vocês saibam esta noite que nós, como um povo, chegaremos à Terra Prometida. Por isso estou feliz esta noite. Nada me preocupa. Não temo nenhum homem! Meus olhos viram a glória da vinda do Senhor!" (O Sermão do Topo da Montanha, Memphis, 3 de abril de 1968)
"Há um grande dia adiante. O futuro está do nosso lado. Por enquanto estamos no deserto. Mas a Terra Prometida está adiante. Se não tivesse havido um Gandhi na Índia, com todos os seus nobres seguidores, a Índia jamais seria livre. Não fosse Nkrumah e seus seguidores em Gana, Gana ainda seria uma colônia britânica. Não fossem os abolicionistas nos EUA, tanto os negros como os brancos, estaríamos ainda hoje nas masmorras da escravidão. Em todos os períodos, sempre existem aquelas pessoas que não se importam em ter suas cabeças cortadas, que não se importam em ser perseguidas, discriminadas e agredidas, porque elas sabem que a liberdade jamais é entregue de graça; ela só vem através da persistente e contínua agitação por parte daqueles que estão presos no sistema. Isso nos lembra do fato de que uma nação ou povo pode se desvencilhar da opressão sem violência (...). Deus, nosso gracioso Pai, ajude-nos a enxergar as visões desta nova nação. Ajude-nos a segui-lo e a seguir todas as suas obras neste mundo. De alguma forma descobriremos que fomos feitos para vivermos juntos, como irmãos. E isso virá ainda nesta geração: o dia em que todos os homens reconhecerem a paternidade de Deus e a irmandade dos homens." (O Nascimento de Uma Nova Nação, Montgomery, 7 de abril de 1957)
"Aceito o Prêmio Nobel da Paz num momento em que 22 milhões de negros nos Estados Unidos estão envolvidos numa batalha criativa para encerrar a longa noite da injustiça racial. Aceito este prêmio em nome de um movimento de direitos civis que está avançando com determinação e um majestoso desprezo pelos riscos e perigos de estabelecer um reino de liberdade e um sistema de justiça. Estou ciente de que uma pobreza debilitante e asfixiante aflige meu povo e o acorrenta ao degrau mais baixo da escada econômica. Portanto, devo perguntar por que este prêmio está sendo concedido a um movimento que é comprometido com uma luta incessante; a um movimento que não conquistou a própria paz e fraternidade que é a essência do Prêmio Nobel. Depois de pensar a respeito, concluí que este prêmio que recebo em nome desse movimento é um reconhecimento profundo de que a não-violência é a resposta à questão moral e política crucial de nosso tempo: a necessidade do homem superar a opressão e a violência sem recorrer à violência e à opressão (...). Ainda creio que superaremos tudo isso. Essa fé nos dá a coragem de enfrentar as incertezas do futuro. Dá forças aos nossos pés cansados enquanto continuamos nossa marcha rumo à cidade da liberdade. Quando nossos dias tornarem-se lúgubres e cobertos por nuvens e nossas noites tornarem-se mais escuras que mil meias-noites, saberemos que estamos vivendo no tumulto criativo de uma civilização genuína lutando para nascer." (Cerimônia de entrega do Nobel da Paz, Oslo, 10 de dezembro de 1964)
"Infelizmente, a História transforma algumas pessoas em oprimidas e outras em opressoras. E há três formas pelas quais os indivíduos oprimidos podem lidar com a opressão. Uma delas é se levantar contra os opressores com violência física e ódio corrosivo. Mas este não é o caminho. Pois o perigo e a fragilidade deste método são sua futilidade. A violência cria mais problemas sociais do que soluções. Como disse várias vezes, se o negro sucumbir à tentação de usar a violência em sua batalha, as gerações que ainda não nasceram receberão uma longa e desoladora noite de amargura, e nosso principal legado ao futuro será um eterno reinado de caos sem sentido. A violência não é o caminho (...). Então nesta manhã, enquanto olho em seus olhos e nos olhos de todos os meus irmãos do Alabama e de toda a América e do mundo, digo a vocês: 'Eu te amo. Prefiro morrer a odiá-lo'. Sou tolo o bastante para crer que, através do poder deste amor, até os homens mais inflexíveis serão transformados. E aí estaremos no reino de Deus. Poderemos nos matricular na universidade da vida eterna, pois teremos o poder de amar nossos inimigos, abençoar as pessoas que praguejaram contra nós, até decidirmos ser bons com as pessoas que nos odiavam, até rezarmos pelas pessoas que nos usaram." (Amar seus Inimigos, Montgomery, 17 de novembro de 1957)
EU TENHO UM SONHO Discurso de Martin Luther King (28/08/1963)
"Eu estou contente em unir-me com vocês no dia que entrará para a história como a maior demonstração pela liberdade na história de nossa nação.
Cem anos atrás, um grande americano, na qual estamos sob sua simbólica sombra, assinou a Proclamação de Emancipação. Esse importante decreto veio como um grande farol de esperança para milhões de escravos negros que tinham murchados nas chamas da injustiça. Ele veio como uma alvorada para terminar a longa noite de seus cativeiros. Mas cem anos depois, o Negro ainda não é livre. Cem anos depois, a vida do Negro ainda é tristemente inválida pelas algemas da segregação e as cadeias de discriminação. Cem anos depois, o Negro vive em uma ilha só de pobreza no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos depois, o Negro ainda adoece nos cantos da sociedade americana e se encontram exilados em sua própria terra. Assim, nós viemos aqui hoje para dramatizar sua vergonhosa condição.
De certo modo, nós viemos à capital de nossa nação para trocar um cheque. Quando os arquitetos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e a Declaração da Independência, eles estavam assinando uma nota promissória para a qual todo americano seria seu herdeiro. Esta nota era uma promessa que todos os homens, sim, os homens negros, como também os homens brancos, teriam garantidos os direitos inalienáveis de vida, liberdade e a busca da felicidade. Hoje é óbvio que aquela América não apresentou esta nota promissória. Em vez de honrar esta obrigação sagrada, a América deu para o povo negro um cheque sem fundo, um cheque que voltou marcado com "fundos insuficientes".
Mas nós nos recusamos a acreditar que o banco da justiça é falível. Nós nos recusamos a acreditar que há capitais insuficientes de oportunidade nesta nação. Assim nós viemos trocar este cheque, um cheque que nos dará o direito de reclamar as riquezas de liberdade e a segurança da justiça.
Nós também viemos para recordar à América dessa cruel urgência. Este não é o momento para descansar no luxo refrescante ou tomar o remédio tranqüilizante do gradualismo. Agora é o tempo para transformar em realidade as promessas de democracia. Agora é o tempo para subir do vale das trevas da segregação ao caminho iluminado pelo sol da justiça racial. Agora é o tempo para erguer nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a pedra sólida da fraternidade. Agora é o tempo para fazer da justiça uma realidade para todos os filhos de Deus.
Seria fatal para a nação negligenciar a urgência desse momento. Este verão sufocante do legítimo descontentamento dos Negros não passará até termos um renovador outono de liberdade e igualdade. Este ano de 1963 não é um fim, mas um começo. Esses que esperam que o Negro agora estará contente, terão um violento despertar se a nação votar aos negócios de sempre.
Mas há algo que eu tenho que dizer ao meu povo que se dirige ao portal que conduz ao palácio da justiça. No processo de conquistar nosso legítimo direito, nós não devemos ser culpados de ações de injustiças. Não vamos satisfazer nossa sede de liberdade bebendo da xícara da amargura e do ódio. Nós sempre temos que conduzir nossa luta num alto nível de dignidade e disciplina. Nós não devemos permitir que nosso criativo protesto se degenere em violência física. Novamente e novamente nós temos que subir às majestosas alturas da reunião da força física com a força de alma. Nossa nova e maravilhosa combatividade mostrou à comunidade negra que não devemos ter uma desconfiança para com todas as pessoas brancas, para muitos de nossos irmãos brancos, como comprovamos pela presença deles aqui hoje, vieram entender que o destino deles é amarrado ao nosso destino. Eles vieram perceber que a liberdade deles é ligada indissoluvelmente a nossa liberdade. Nós não podemos caminhar só.
E como nós caminhamos, nós temos que fazer a promessa que nós sempre marcharemos à frente. Nós não podemos retroceder. Há esses que estão perguntando para os devotos dos direitos civis, "Quando vocês estarão satisfeitos?"
Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos horrores indizíveis da brutalidade policial. Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto nossos corpos, pesados com a fadiga da viagem, não poderem ter hospedagem nos motéis das estradas e os hotéis das cidades. Nós não estaremos satisfeitos enquanto um Negro não puder votar no Mississipi e um Negro em Nova Iorque acreditar que ele não tem motivo para votar. Não, não, nós não estamos satisfeitos e nós não estaremos satisfeitos até que a justiça e a retidão rolem abaixo como águas de uma poderosa correnteza.
Eu não esqueci que alguns de você vieram até aqui após grandes testes e sofrimentos. Alguns de você vieram recentemente de celas estreitas das prisões. Alguns de vocês vieram de áreas onde sua busca pela liberdade lhe deixaram marcas pelas tempestades das perseguições e pelos ventos de brutalidade policial. Você são o veteranos do sofrimento. Continuem trabalhando com a fé que sofrimento imerecido é redentor. Voltem para o Mississippi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para Louisiana, voltem para as ruas sujas e guetos de nossas cidades do norte, sabendo que de alguma maneira esta situação pode e será mudada. Não se deixe caiar no vale de desespero.
Eu digo a você hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã. Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.
Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.
Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos desdentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.
Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça.
Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!
Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje!
Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta.
Esta é nossa esperança. Esta é a fé com que regressarei para o Sul. Com esta fé nós poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de fraternidade. Com esta fé nós poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, para ir encarcerar juntos, defender liberdade juntos, e quem sabe nós seremos um dia livre. Este será o dia, este será o dia quando todas as crianças de Deus poderão cantar com um novo significado.
"Meu país, doce terra de liberdade, eu te canto.
Terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos peregrinos,
De qualquer lado da montanha, ouço o sino da liberdade!"
E se a América é uma grande nação, isto tem que se tornar verdadeiro.
E assim ouvirei o sino da liberdade no extraordinário topo da montanha de New Hampshire.
Ouvirei o sino da liberdade nas poderosas montanhas poderosas de Nova York.
Ouvirei o sino da liberdade nos engrandecidos Alleghenies da Pennsylvania.
Ouvirei o sino da liberdade nas montanhas cobertas de neve Rockies do Colorado.
Ouvirei o sino da liberdade nas ladeiras curvas da Califórnia.
Mas não é só isso. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Pedra da Geórgia.
Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Vigilância do Tennessee.
Ouvirei o sino da liberdade em todas as colinas do Mississipi.
Em todas as montanhas, ouviu o sino da liberdade.
E quando isto acontecer, quando nós permitimos o sino da liberdade soar, quando nós deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho spiritual negro:
"Livre afinal, livre afinal.
Agradeço ao Deus todo-poderoso, nós somos livres afinal."
Um senhor de 70 anos viajava de trem, tendo ao seu lado um jovem universitário, que lia o seu livro de ciências.
O senhor, por sua vez, lia um livro de capa preta. Foi quando o jovem percebeu que se tratava da Bíblia e estava aberta no livro de Marcos .
Sem muita cerimônia o jovem interrompeu a leitura do velho e perguntou:
O senhor ainda acredita neste livro cheio de fábulas e crendices? Sim, mas não é um livro de crendices. É a Palavra de Deus. Estou errado?
Respondeu o jovem:
- Mas é claro que está! Creio que o senhor deveria estudar a História Universal. Veria que a Revolução Francesa, ocorrida há mais de 100 anos, mostrou a miopia da religião. Somente pessoas sem cultura ainda crêem que Deus tenha criado o mundo em seis dias. O senhor deveria conhecer um pouco mais sobre o que os nossos cientistas pensam e dizem sobre tudo isso.
- É mesmo? Disse o senhor. E o que pensam e dizem os nossos cientistas sobre a Bíblia?
- Bem, respondeu o universitário, como vou descer na próxima estação, falta-me tempo agora, mas deixe o seu cartão que lhe enviarei o material pelo correio com a máxima urgência.
O velho então cuidadosamente abriu o bolso interno do paletó e deu o seu cartão ao universitário.
Quando o jovem leu o que estava escrito, saiu cabisbaixo sentindo-se envergonhado.
No cartão estava escrito: Professor Doutor Louis Pasteur, Diretor Geral do Instituto de Pesquisas Científicas da Universidade Nacional da França.
" Um pouco de ciência nos afasta de Deus. Muita, nos aproxima". Niguém pense que ser intelectual é demais para admitir a existência de um criador.
Fato verídico ocorrido em 1892, integrante da biografia de Louis Pasteur.